sábado, 18 de fevereiro de 2012

cinzas do meu carnaval

é carnaval em meu coração...
pulo em goles o meu sofrimento
num bar da Avenida Solidão
atravesso o compasso
o enredo 
da minha história de amor
o samba 
que não sou eu que faço
porque bato cabeça 
igual tambor
quebro o passado 
em estilhaço
ferindo o peito de dor
esqueço 
até de chorar
quando a quarta de cinzas chegar
quando eu junto os cacos 
para ter esperança
para quando tudo passar
e espero ansioso da sorte
o próximo carnaval chegar


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

se as coisas 
não estão 
exatamente do seu jeito... 
dê um jeito 
de entender.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

rocurar o amor no lugar errado é melhor...
...que procurar o ódio no lugar certo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

MINI CONTO


Andei lentamente pelo centro. Eram mais ou menos hora de prostitutas e bêbados imaginarem o que estaríam fazendo se não o fossem, quando a intriga das esquinas se encontram. 
E ele, me olhou firme nos olhos, me embriagou com sua boca bem perto do meu rosto, agarrou meu antebraço, que já pedia passagem... 
...e disse: 
“olha lá... o boteco de quinta… que me recebe também na sexta, no sábado e no domingo. Passo a segunda inteira dormindo. Na terça nem sei mais quem eu sou. Na quarta finalmente eu me encontro melhorando e na quinta, bem na quinta... o boteco de quinta”.
Poeta desgraçado da realidade sem graça. Fui embora fedendo álcool, dúvidas sobre a vida e o suor do simpático bêbado perdido no escuro.

domingo, 29 de janeiro de 2012

V

viagem... vento viaja
verde vida vertendo
vem vontade vibrante
voando ver voláteis vindas
vultos vendados
vocações vastas
volvendo vínculos
vá... véu velho
vulnerável vagando vivo 
ventre vive
você vê
você vai
vamos vitória
venha vencer








terça-feira, 24 de janeiro de 2012

ERRAR É HUMANO... MAS


"Eu nem sei o quanto sei / e o futuro que me espera talvez nunca me diga".  Uma das primeiras canções que fiz... o refrão é este:  O excesso, a falta, a medida certa.
Nunca saberemos ao certo o que fez a outra pessoa decidir ficar ou ir embora. Para que ficar com uma pessoa como eu? Por que ir embora? Por que comigo? Por que sem mim?  No íntimo sempre sabemos os motivos. Os filmes de Hollywood nos fazem fantasiar e isso é bom, pois  soco da verdade alivia a dor na fantasia. Todos sabem. Mas, para diminuir o nosso sentimento de perda e de fracasso, não conseguimos admitir ou não temos capacidade de decifrar a nossa própria mente, que engana o cérebro e principalmente engana a tristeza. Foi a falta de Deus? falta de diálogo com o outro(a)? Em quem colocar a culpa? Certamente foi a falta de diálogo entre nós e nossa realidade. Quando se olha no espelho, olhos nos olhos com a própria face, tenho  certeza que muitas vezes conseguimos descobrir qual foi a nossa verdadeira razão.  É mais fácil o casal se separar. Sempre é. Os casais se separam, porque não admitem próprio erro. O erro é sempre do outro. “O outro não me dá carinho, atenção, amor, não divide as contas, não ajuda na casa”. Nunca o erro é nosso. E mesmo em pleno divã, a culpa vai ser do oculto, mas nunca nossa culpa... nunca.
Quando se é pobre, a culpa é do Governo. Quando se é fraco, a culpa é da covardia do mais forte. Quando se é incapaz a culpa é da falta de capacidade do chefe, da esposa, do filho, do pai. Nós seres humanos somos ignorantes na essência. E admitir ignorância é dádiva. Quem antes se admite ignorante, busca o entendimento do erro e busca rapidamente a sua correção. Ninguém entende porque os Montecchios e os Capuleto eram brigados e sempre a culpa é da outra família. Até que surgiram Romeu e Julieta para colocar as famílias para pensar. Em certos casos, só o caos faz parar para pensar. Por isso, uma pessoa para de fumar somente quando o médico mostra um raio X dos pulmões.
Se eu admitir logo que o errado sou eu, muito mais fácil me corrigir e ir atrás logo de olhar em frente e seguir adiante. O passado é a aula. O passado é a referência. O presente é a atitude.
Bom é separar o que se construiu de bom no passado. Uma escola, o  amor, um bom emprego, uma família, bens materiais. Separar o que de melhor aconteceu.
Não colocar a culpa em outrem é o primeiro passo para acertar. Mesmo que você tenha a certeza que não foi erro seu. Pode ter sido contingência, ironia do destino. “A culpa é minha e ponto final”. Na hora do amor e do sexo, por exemplo: Não sabemos avaliar o nosso erro, pois estamos caminhando cegos para um destino que só visualizamos lindo, com flores, nos encantamos com o olhar, com a beleza, com a fotografia, com o dia que passamos sem olhar o relógio... e simplesmente esquecemos de gravar o caminho percorrido e principalmente o erro. E quando nos vemos sozinhos, geralmente não sabemos o caminho tomado e nos perdemos na volta. E vem a pergunta: “Onde foi que eu errei?”
Então, o mundo acaba, sem rumo, sem razão, sem destino e é assim com a maior parte dos amores. Se perde a razão e se culpa outrem. Se culpa o preconceito, se culpa a situação financeira, a idade, a falta de maturidade e não se admite o erro próprio em não ter percebido algo que passados dias, meses ou até muitos anos, vamos perceber que o erro estava diante do nosso fucinho e não percebemos pois estávamos cegos no caminho com tanta paixão, beleza. O ser humano é muito "vítima" e nunca se admite “vilão”. Leia a história da prisão de Al Capone. Ele disse ao ser preso que dava de comer e emprego a muitas famílias, que estava sendo injustiçado. Ali ele não lembrou aos policiais da quantidade de gente que mandou matar. Exagerei? Mas é um exemplo do ser humano ”vítima”.
Quando estamos culpando outra pessoa então, geralmente fomos nós que erramos em não dar atenção aos erros. E quando nos vimos envolvidos até o fundo, ops... ledo engano, vamos errar de novo... e demoramos admitir, independente de cultura, escolaridade, credo, situação financeira, cor ou idade. E assim por diante.
Então errei lá no início. E agora, que já tenho filhos, casa, família? E se eu tivesse estudado mais? Me formado? Se eu tivesse trabalhado mais do que trabalhei? E se eu tivesse mudado de religião antes? Cidade...  se eu não tivesse dado bola pro futebol de domingo? Se eu não tivesse bebido tanto?
Se eu não tivesse me jogado nesse amor de cabeça? As perguntas vão se multiplicar enquanto não admitimos que o erro esta diante do espelho, com a porta fechada e sem ninguém olhando. Admitir o erro é soberano. Me deu vontade de ouvir “Epitáfio ” dos Titãs.
Admitir ignorância = o primeiro passo para o futuro melhor e talvez iremos descobrir que nem tudo é somente um erro. Algumas coisas podem acontecer independente se queremos ou não, pois não dependem da nossa decisão. Podemos então acertar e já tomar a decisão de superar o que não depende de nós, seguir em frente e só tomar as decisões que dependam de nossa própria conta. O que não pode ser decidido sozinho preciso sim decidir junto com outra pessoa, ou com outras pessoas... e fazer o sublime ato de ceder ao outro, para respeitar e ser respeitado. Uns pedem ajuda divina. Outros sentem o peso de Samurai. Prefiro aconselhar a calma, a oração e não fazer nada enquanto não se tem certeza. Caso contrário, será o terceiro erro. Melhor resolver um da cada vez. 
Que Deus nos abençoe, ignorantes que somos!

domingo, 8 de janeiro de 2012

CURITIBOCA


Eu sou curitiboca
E daí?
Ei... você aí!
Eu não nasci na Mooca
Eu não sambo
Eu não mambo
E nem tango
Eu não cresci no sertão
Eu sou do  boqueirão
Eu já morei em São José
me alimento de fé
já morei em São Paulo
e Rita
não me leve a mal
em Curitiba não me sinto normal
me batizei no Carmo
me crismei na Sagrada Família
casei no Perpétuo Socorro
eu tenho mulher e filha
do relógio eu não corro
e também não fujo
só faço graça
de quem reclama da vida
sentado no banco da praça
estou tão acostumado
a rir da minha própria cara
 não tenho problema
se você tirar onda da minha fala
no afinal das contas
quem tem coração e mente
e fala leite quente
não tem vergonha da gente
de viver decentemente

sábado, 7 de janeiro de 2012

MELODIAS DA INFÂNCIA


algumas melodias
tem o poder
de fazer a mente
voltar no tempo
então eu fecho os olhos
e sou capaz de sentir
o mesmo cheiro
o sol entrando na janela
fazendo sombra na cadeira da sala
com a mãe na cozinha
numa tarde de verão
me faz voltar à mesa
a ser um crianção
tomando café com leite
pão com margarina e queijo
assistindo tevê de longe
ao som da seção da tarde
e o caminhão do gás
na rua fazendo alarde
ao lado do cachorro
que não para
de me chamar
pra brincar lá fora
e agora já é hora de parar
desse sonho bom  acordar
recarregar as baterias
pisar a realidade
e voltar a sonhar

o teu amor...

o teu amor
tem o poder
de mostrar o caminho
quando estou perdido
e teu amor
tem o poder
me me confortar
se estou iludido
o teu amor
tem o poder
e o teu poder
é tão simples
que me faço
de desentendido
do teu sorriso
sou compreendido
do teu amor
faço um dia
do teu amor
faço minha vida

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

QUERO

quero sorrir 
todo o tempo
ou pelo menos
de manhã 
à tarde
e à noite
sentir o gosto da vida
e que seja deleite
sentir no rosto
o vento
que balança na varanda
o enfeite
quero ter paz a vida inteira
ou pelo menos criança 
quero andar na rua
de bobeira
pelo menos uma vez ao dia
mesmo que seja 
uma manhã fria
quero aprender a música
inventar 
a minha própria dança
quero esperar ansioso
ser recebido com esperança
quero ter quase tudo
o que eu puder 
ou pelo menos 
a maior parte 
do que eu merecer
pretendo ser criança 
a vida toda
buscar a paz 
todos os dias
assim sorrir 
nem que seja
de bobo alegre
nem que seja 
sem cobrar nada
quero
porque quero
sentir orgulho no final
quero e pronto
mereço
e ponto inicial







segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

BOM DIA

bom dia
quem diria 
tão cedo
bom dia 
para você
que acredita 
em um novo dia
bom dia 
para quem quer
e para quem nem quer saber
bom dia 
ao seu amanhecer
de chuva
bom dia 
de café da manhã 
com pão de ontem
manteiga de geladeira
esfriando sem o sol
com muito ar puro
bom dia 
de tevê desligada
de mente renovada
bom dia 
e quem diria
que mais um ano viria