"Eu nem sei o quanto sei / e o futuro que me espera talvez nunca me diga". Uma das primeiras canções que fiz... o refrão é este: O excesso, a falta, a medida certa.
Nunca saberemos ao certo o que fez a outra pessoa decidir ficar ou ir embora. Para que ficar com uma pessoa como eu? Por que ir embora? Por que comigo? Por que sem mim? No íntimo sempre sabemos os motivos. Os filmes de Hollywood nos fazem fantasiar e isso é bom, pois soco da verdade alivia a dor na fantasia. Todos sabem. Mas, para diminuir o nosso sentimento de perda e de fracasso, não conseguimos admitir ou não temos capacidade de decifrar a nossa própria mente, que engana o cérebro e principalmente engana a tristeza. Foi a falta de Deus? falta de diálogo com o outro(a)? Em quem colocar a culpa? Certamente foi a falta de diálogo entre nós e nossa realidade. Quando se olha no espelho, olhos nos olhos com a própria face, tenho certeza que muitas vezes conseguimos descobrir qual foi a nossa verdadeira razão. É mais fácil o casal se separar. Sempre é. Os casais se separam, porque não admitem próprio erro. O erro é sempre do outro. “O outro não me dá carinho, atenção, amor, não divide as contas, não ajuda na casa”. Nunca o erro é nosso. E mesmo em pleno divã, a culpa vai ser do oculto, mas nunca nossa culpa... nunca.
Quando se é pobre, a culpa é do Governo. Quando se é fraco, a culpa é da covardia do mais forte. Quando se é incapaz a culpa é da falta de capacidade do chefe, da esposa, do filho, do pai. Nós seres humanos somos ignorantes na essência. E admitir ignorância é dádiva. Quem antes se admite ignorante, busca o entendimento do erro e busca rapidamente a sua correção. Ninguém entende porque os Montecchios e os Capuleto eram brigados e sempre a culpa é da outra família. Até que surgiram Romeu e Julieta para colocar as famílias para pensar. Em certos casos, só o caos faz parar para pensar. Por isso, uma pessoa para de fumar somente quando o médico mostra um raio X dos pulmões.
Se eu admitir logo que o errado sou eu, muito mais fácil me corrigir e ir atrás logo de olhar em frente e seguir adiante. O passado é a aula. O passado é a referência. O presente é a atitude.
Bom é separar o que se construiu de bom no passado. Uma escola, o amor, um bom emprego, uma família, bens materiais. Separar o que de melhor aconteceu.
Não colocar a culpa em outrem é o primeiro passo para acertar. Mesmo que você tenha a certeza que não foi erro seu. Pode ter sido contingência, ironia do destino. “A culpa é minha e ponto final”. Na hora do amor e do sexo, por exemplo: Não sabemos avaliar o nosso erro, pois estamos caminhando cegos para um destino que só visualizamos lindo, com flores, nos encantamos com o olhar, com a beleza, com a fotografia, com o dia que passamos sem olhar o relógio... e simplesmente esquecemos de gravar o caminho percorrido e principalmente o erro. E quando nos vemos sozinhos, geralmente não sabemos o caminho tomado e nos perdemos na volta. E vem a pergunta: “Onde foi que eu errei?”
Então, o mundo acaba, sem rumo, sem razão, sem destino e é assim com a maior parte dos amores. Se perde a razão e se culpa outrem. Se culpa o preconceito, se culpa a situação financeira, a idade, a falta de maturidade e não se admite o erro próprio em não ter percebido algo que passados dias, meses ou até muitos anos, vamos perceber que o erro estava diante do nosso fucinho e não percebemos pois estávamos cegos no caminho com tanta paixão, beleza. O ser humano é muito "vítima" e nunca se admite “vilão”. Leia a história da prisão de Al Capone. Ele disse ao ser preso que dava de comer e emprego a muitas famílias, que estava sendo injustiçado. Ali ele não lembrou aos policiais da quantidade de gente que mandou matar. Exagerei? Mas é um exemplo do ser humano ”vítima”.
Quando estamos culpando outra pessoa então, geralmente fomos nós que erramos em não dar atenção aos erros. E quando nos vimos envolvidos até o fundo, ops... ledo engano, vamos errar de novo... e demoramos admitir, independente de cultura, escolaridade, credo, situação financeira, cor ou idade. E assim por diante.
Então errei lá no início. E agora, que já tenho filhos, casa, família? E se eu tivesse estudado mais? Me formado? Se eu tivesse trabalhado mais do que trabalhei? E se eu tivesse mudado de religião antes? Cidade... se eu não tivesse dado bola pro futebol de domingo? Se eu não tivesse bebido tanto?
Se eu não tivesse me jogado nesse amor de cabeça? As perguntas vão se multiplicar enquanto não admitimos que o erro esta diante do espelho, com a porta fechada e sem ninguém olhando. Admitir o erro é soberano. Me deu vontade de ouvir “Epitáfio ” dos Titãs.
Admitir ignorância = o primeiro passo para o futuro melhor e talvez iremos descobrir que nem tudo é somente um erro. Algumas coisas podem acontecer independente se queremos ou não, pois não dependem da nossa decisão. Podemos então acertar e já tomar a decisão de superar o que não depende de nós, seguir em frente e só tomar as decisões que dependam de nossa própria conta. O que não pode ser decidido sozinho preciso sim decidir junto com outra pessoa, ou com outras pessoas... e fazer o sublime ato de ceder ao outro, para respeitar e ser respeitado. Uns pedem ajuda divina. Outros sentem o peso de Samurai. Prefiro aconselhar a calma, a oração e não fazer nada enquanto não se tem certeza. Caso contrário, será o terceiro erro. Melhor resolver um da cada vez.
Que Deus nos abençoe, ignorantes que somos!